O ex-prefeito do Recife, João Paulo (PT), aos 65 anos, mostra fraqueza política ao se indefinir com relação à candidatura da vereadora do Recife, Marília Arraes (PT), ao Governo de Pernambuco, nas eleições deste ano.

O petista que ascendeu a política ocupando a presidência da CUT de Pernambuco em 1988, e sendo vereador do Recife no mesmo ano, agora tem o destino do Partido dos Trabalhadores (PT) em suas mãos.

João Paulo pode escolher dois caminhos para as eleições deste ano, um deles é tornar-se uma figura emblemática, lançando-se deputado federal e com o apoio da neta de Miguel Arraes, dando e recebendo sustentação eleitoral na Região Metropolitana do Recife (RMR) e no sertão pernambucano.

A segunda é acabar com a história da legenda, colocando-se como candidato a vice-governador ou senador na Frente Popular de Pernambuco, onde renderia sua alma ao “diabo”, após sua base política ter sido traída com a candidatura de Eduardo Campos a presidência da república e o apoio de Paulo Câmara (PSB) ao impeachment da ex-presidente, Dilma Rousseff.

Na primeira escolha, João Paulo corre o risco de não ocupar uma cadeira na Câmara Federal, no entanto, mesmo perdendo a eleição e Marília Arraes ganhando as eleições ao Palácio do Campo das Princesas, ocuparia função de destaque no governo e, ainda, seria o candidato majoritário e com respaldo da máquina pública estadual, candidato a prefeitura do Recife em 2020.

Sem dúvidas, esse caminho é arriscado, mas, um político de verdade escolhe ser protagonista e não voltar à velha aliança e a base que já deu o que tinha que dar para Pernambuco. Se não fosse assim, seu partido e sua militância não estariam no campo da oposição. Qualquer tipo de aliança é pura conveniência e, praticamente, entrega a vitória ao bloco de oposição, capitaneado pelo senador Armando Monteiro e Fernando Bezerra Coelho.

No final das contas, João Paulo tem a palavra final, seja de marchar com Marília Arraes ou Paulo Câmara. Entretanto, a questão agora é: ser cabeça ou calda? Ser fraco ou forte? Manter o discurso ou apagá-lo? Se reinventar ou deixar a hegemonia reinar?

Serão perguntas que um político do calibre de João Paulo não poderá continuar fraquejando para respondê-las, pois, ao tempo que seu nome representa força política, reverbera fraqueza para o Partido dos Trabalhadores (PT) e para a militância petista. Há quem diga que essa fraqueza se estende para o senador Humberto Costa e o deputado estadual Odacy Amorim, que continua a um passo de trocar a bandeira vermelha pela amarela.

Marília Arraes diz que candidatura própria não tem volta. Foto: Robério Sá

CANDIDATURA PRÓPRIA – A vereadora do Recife, Marília Arraes (PT), deu entrevista à Resenha Política, declarando que sua candidatura ao Palácio do Campo das Princesas não tem volta. “Não vejo hoje como haver uma retirada dessa candidatura própria”.

Na sabatina, a petista mostrou-se contrariada a rotulação de que sua candidatura é para provocar um segundo turno, como tem sido pregado pelo senador Armando Monteiro, Silvio Costa e, recentemente, pelo senador Fernando Bezerra Coelho. “Eu não estou colocando meu nome, de forma alguma, para provocar segundo turno. Nós estamos sendo candidatos para ir para o segundo turno. E as pesquisas mostram isso, a preocupação dos adversários mostra isso. Eles deveriam era se preocupar com o campo político deles […] enfim, cuidar da vida deles”, declarou.

UNIDADE NA OPOSIÇÃO – O grupo das oposições continua pregando a candidatura de Marília Arraes (PT) ao governo do estado. A motivação é bem perspicácia, caso a petista seja candidata continuará a unidade no bloco das oposições, capitaneado pelos senadores Armando Monteiro (PTB), Fernando Bezerra Coelho (MDB), mais os deputado federais Bruno Araújo (PSDB), Mendonça Filho (DEM) e Fernando Filho (Sem Partido).

Se aliança entre PSB e PT não se firmar, o bloco terá que se dividir em duas chapas, com duas candidaturas ao governo e quatro ao senado. De certo, já se sabe que o grupo, supostamente, não faria nem um senador e apenas um dos candidatos iria ao segundo turno contra Paulo Câmara. Por isso, nos bastidores a oposição grita: “vai Arraes, vai Arraes”.

Por Robério Sá

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Paulo Gonçalves Arraes, nasceu em Araripina-PE em 1969, formado em Ciências com habilitação em Biologia pela FAFOPA, com cursos de Instrutor de Trânsito e Diretor de CFC (Auto Escola) pela UPE/Detran-PE, Vereador 1999/2000 (PSB) e 2001/2014 (PPS), Assessoria Política em campanhas eleitorais na Região do Araripe e em 2009 representou Pernambuco no Movimento pela Recomposição das Câmaras de Vereadores no Congresso Nacional em Brasília.